A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (16), reforça a avaliação do Banco Central de que a taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano por um período prolongado, como estratégia para assegurar a convergência da inflação à meta.

O documento destaca que o cenário externo segue marcado por elevada incerteza, sobretudo em razão da política econômica dos Estados Unidos e das tensões geopolíticas, com reflexos nas condições financeiras globais. Diante desse ambiente, o Copom avalia que economias emergentes precisam manter postura cautelosa.

No Brasil, a ata aponta que os indicadores confirmam uma moderação gradual da atividade econômica, em linha com o esperado, enquanto o mercado de trabalho segue resiliente, embora já apresente sinais incipientes de desaquecimento. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, mas há redução na população ocupada e na taxa de participação.

A inflação mostrou algum arrefecimento recente, favorecida por um câmbio mais apreciado e por preços de commodities mais comportados, o que ajudou a aliviar bens industrializados e alimentos. Ainda assim, o Comitê ressalta que a inflação e as expectativas seguem acima da meta, com projeções de 4,4% para 2025 e 4,2% para 2026, segundo a pesquisa Focus.

O Copom também voltou a alertar para a importância da disciplina fiscal, destacando que incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública podem elevar o prêmio de risco e dificultar o trabalho da política monetária. Para o Comitê, políticas fiscal e monetária precisam atuar de forma coordenada para reduzir o custo da desinflação.

No balanço de riscos, o BC avalia que permanecem elevados tanto os riscos de alta quanto de baixa para a inflação. Entre os fatores de pressão estão a desancoragem das expectativas, a persistência da inflação de serviços e possíveis impactos cambiais. Do lado oposto, uma desaceleração econômica mais forte ou queda adicional das commodities poderiam ajudar a conter os preços.

Por fim, o Copom reforça que seguirá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta dos juros, caso julgue necessário, reafirmando o compromisso com a estabilidade de preços.