Paz mundial. Duas palavras apenas. Um substantivo e um adjetivo que são a maior utopia de toda a história humana. Uma quimera jamais concretizada, nem ontem, nem agora, nem amanhã.
Para lembrar ao mundo a paz necessária, instituíram-se até duas datas significativas: o Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro, e o Dia Internacional da Paz, 21 de setembro. E para simbolizar a paz, adotou-se uma pombinha branca mensageira.
Nada, entretanto, dá paz ao mundo. Nem as filosofias, nem os esportes, nem as religiões. Em todos esses segmentos, e em muitos outros, a bem dizer, há sempre conflitos, dúvidas, desentendimentos e disputas. Situações em que, frequentemente, a paz passa distante.
Do homem primitivo ao ser civilizado de hoje; das cavernas às tribos; das aldeias rústicas de tempos primevos aos mais elevados centros urbanos do planeta, em pleno século vinte e um, a paz tem sido continuadamente o produto mais escasso e raro de se encontrar.
Em lugar da paz, manifesta-se espontaneamente a guerra, companheira da humanidade desde o primeiro homicídio narrado nas escrituras antigas. Aliás, um fratricídio.
As nações, quase de um modo geral, se repelem, ilhadas, cada uma, em suas fronteiras, soberbamente, guarnecendo com unha e dente o seu território, por maior ou menor que seja.
Recentemente, três dias após as comemorações da Confraternização Universal, ou Dia Mundial da Paz, um líder distante invade o quintal de outro líder, sequestra-o e apodera-se do país alheio e de sua maior riqueza: o petróleo.
Parodiando Nostradamus, “No vigésimo sexto ano, antes de o sol se erguer, o rinoceronte do norte, com seus exércitos e seus tubarões de aço singrando os mares, invadirá a selva do oncelote do sul e o subjugará, e tomará para si o seu reino e todo o azeite negro que nele há. O vencedor então reinará em solo americano”.
Não se está fazendo apologia à guerra. Mas o homem, comprovadamente, é filho da guerra. É bélico por natureza. Da infância à velhice, tem a suprema inclinação de provocar a guerra: entre nações, dentro de uma própria nação, na cidade, no bairro, na comunidade, na rua e no próprio núcleo familiar.
Paz mundial. Quem por ela lutou, custou-lhe a própria vida. Ghandi, Luther King, Cristo: batalhas inglórias. A paz, palavra pronunciada em todas as línguas, apregoada por todas as culturas, cantada e decantada em prosa e verso, não mora no coração do homem: mora da boca para fora. É cuspida e arrotada a torto e a direito. Está em milhares e milhares de textos, em incontáveis páginas impressas dos livros ditos sagrados, sem dali se despregar nunca para a prática.
Enquanto a pombinha branca bate asas por aí com a flor da paz pendurada no bico, cá embaixo os estopins aguardam o riscar do fósforo. As ogivas nucleares, apontadas para todos os quadrantes da terra, estão a postos, empanturradas de seu veneno mortífero.
Paz mundial. Quimera das quimeras. E se a desejardes realmente, ó homens, recueis ao século quatro da Era Cristão e ouvi o escritor romano Flávio Vegécio: “Si vis pacem, para bellum” (“Se queres a paz, prepara a guerra”).
O MUNDO EM PÉ DE GUERRA
Pedro Paulo Paulino
Atuante tanto na literatura de cordel quanto na poesia erudita, com diversas conquistas em prêmios literários de âmbito nacional. Além de seu trabalho como escritor, ele também é redator e diagramador de jornais, revistas e livros, atuando dentro e fora de Canindé. Como radialista, Pedro Paulo apresenta um programa aos domingos, focado em resgatar sucessos da Velha Guarda.
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